A economia dos Estados Unidos, que demonstrava robustez no início do segundo mandato do presidente Donald Trump, enfrenta agora discussões sobre o risco de recessão. A mudança de perspectiva ocorreu em poucos meses, surpreendendo investidores e analistas.
Inicialmente, o mercado financeiro apostava na continuidade do crescimento impulsionado por cortes de impostos e estímulos fiscais. No entanto, a priorização de tarifas e restrições comerciais pelo governo Trump gerou incertezas, impactando negativamente os indicadores econômicos e aumentando a volatilidade nos mercados.
A postura cautelosa de investidores e empresas, diante do cenário de incerteza, contribuiu para correções nas Bolsas de Nova York. A imprevisibilidade das políticas econômicas de Trump tem levado o Federal Reserve (FED) e empresários a adotarem uma postura de espera por maior clareza nas decisões do governo.
"Eu acho que a palavra que resume o (atual) momento é incerteza; a outra é imprevisibilidade. E o mercado precifica risco, ele não sabe precificar a incerteza." disse Paulo Leme, chairman do Comitê Global de Alocação de Ativos da XP Advisor.
Um dos riscos apontados é a repetição do cenário dos anos 1970, com estagflação, onde a economia estagnada ou em recessão coexistiria com inflação alta e cortes de juros pelo FED. A situação exige uma gestão ativa e adaptável por parte dos gestores de investimentos.
A estratégia de tarifas de Trump, com avanços e recuos, tem gerado volatilidade e atordoamento no mercado. Empresas, temendo tarifas sobre insumos importados, buscam estocar, impactando negativamente o PIB americano.
"Esse jogo estratégico de xadrez entre o Trump e a sua equipe e os empresários e o mercado, ele pode ter efeitos reais imprevisíveis." alertou Leme.
Diante da imprevisibilidade, especialistas recomendam uma postura mais neutra nos investimentos, evitando decisões que possam ser prejudicadas por políticas inesperadas. A incerteza sobre os rumos da política econômica americana levanta questões sobre os ganhadores e perdedores nesse cenário, tanto no curto quanto no longo prazo.
No longo prazo, a desestabilização da ordem centrada nos EUA pode beneficiar a China, enquanto os próprios Estados Unidos podem perder o privilégio de emitir a moeda global devido à internacionalização de novas moedas digitais. O governo de Lula deverá se posicionar estrategicamente nesse novo cenário.
O aumento das tarifas pode impactar a inflação nos EUA, com possíveis elevações de preços. A reação do FED dependerá do cenário econômico, podendo levar a cortes de juros em meio à inflação alta, resultando em estagflação. A situação econômica é complexa e de difícil previsão, demandando atenção constante por parte de analistas e investidores.
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