
Uma crise diplomática surgiu entre Brasil e Paraguai após a revelação de uma operação de suposta espionagem conduzida pela Abin (Agência Brasileira de Inteligência). A ação, que envolveu a suposta invasão de sistemas paraguaios para obter informações sigilosas sobre a renegociação do Anexo C do tratado de Itaipu, gerou forte reação do governo paraguaio.
O governo do Paraguai, liderado por seu Congresso, suspendeu as negociações sobre o Anexo C do tratado de Itaipu e anunciou uma investigação interna para apurar a extensão da invasão e captura de dados por parte do Brasil. O ministro das Relações Exteriores do Paraguai, Ramírez, classificou a ação como uma violação do direito internacional.
"Essa é uma violação do direito internacional, uma intromissão nos assuntos internos por parte de um país sobre outro." disse Ramírez em coletiva de imprensa.
A operação, segundo o portal UOL, teria sido planejada no final do governo de Bolsonaro, mas executada já na gestão de Lula. Servidores da Abin prestaram depoimentos à Polícia Federal sobre o caso.
Em nota, o Itamaraty confirmou que a operação foi iniciada no governo anterior, mas alegou que o governo Lula a encerrou em março de 2023, assim que tomou conhecimento dos detalhes. Inicialmente, o chanceler paraguaio havia negado indícios de invasão, mas mudou sua posição após a confirmação oficial brasileira.
A operação de espionagem teria utilizado ferramentas como o software Cobalt Strike, com agentes da Abin realizando viagens ao Chile e Panamá para disfarçar a origem dos ataques. Os alvos seriam autoridades do Congresso, do Executivo e do setor energético paraguaio, cujas informações teriam sido capturadas antes da assinatura do novo acordo sobre tarifas de energia em maio de 2024.
O caso promete gerar forte repercussão política em Brasília, com questionamentos sobre a atuação da Abin e a postura do governo brasileiro em relação à espionagem de um país vizinho e aliado.
Fonte: infomoney