Em audiĂȘncia na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (2), agentes de segurança pĂșblica endureceram as crĂticas à chamada "ADPF das Favelas". A Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental 635 foi proposta em 2019 pelo PSB e ONGs ligadas aos direitos humanos para conter a letalidade policial nas favelas do Rio de Janeiro.
O Supremo Tribunal Federal (STF) a acatou parcialmente, proibiu operações policiais durante a pandemia de Covid-19 e estabeleceu condições especiais para novas ações no pós-pandemia. A retomada da anĂĄlise do tema no STF estĂĄ prevista para esta quinta-feira (3) e a Comissão de Segurança PĂșblica da Câmara deve atuar como "amicus curiae", ou seja, com a função de prestar informações no processo.
Para o secretĂĄrio de segurança pĂșblica do Rio de Janeiro, Victor dos Santos, a ADPF parte de premissas falsas e tem viés ideológico. "No Rio de Janeiro, hoje, nós temos quase 1.900 comunidades urbanas ou favelas. Só no municĂpio do Rio de Janeiro são 813. Quando nós fomos pesquisar o nĂșmero de operações que as polĂcias realizaram, a gente verifica que a letalidade é muito baixa", afirmou.
Os agentes de segurança pĂșblica disseram que a ADPF 635 "não proĂbe, mas dificulta" as operações policiais, com reflexo no aumento da criminalidade do estado, como disse o major Leonardo de AraĂșjo, do Batalhão de Operações Especiais da PolĂcia Militar do Rio de Janeiro, o BOPE. "E quais são as consequĂȘncias da ADPF? Primeiro, o Rio de Janeiro se tornou de fato uma escola do crime. Segundo, aumento dos confrontos armados", disse.
Delegado da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da PolĂcia Civil do Rio de Janeiro, FabrĂcio Oliveira citou aumento dos riscos aos policiais diante da escalada de violĂȘncia e da guerra entre traficantes e milicianos por novos territórios no estado. "Com o advento da ADPF, criminosos aqui utilizam tĂĄticas de guerrilha, barricadas e seteiras, coquetel molotov, treinamento militar, explosivos improvisados, passaram a se posicionar cada vez mais em regiões de mata, utilizam fogo em veĂculos e talvez a prĂĄtica mais odiosa, que é utilizar a população civil como escudo humano", apontou.
Organizador do debate, o deputado Delegado Ramagem (PL-RJ) citou ações em curso na Câmara. "Nós estamos trabalhando aqui no Congresso Nacional com diversas medidas, com menos facilitação de progressão de regime desses condenados de alta periculosidade, mais rigor na lei penal, reformulando toda essa famigerada audiĂȘncia de custódia. Nós queremos propor aqui a possibilidade de que o que acontece no Rio de Janeiro ser tratado como narcoterrorismo".
A audiĂȘncia na Comissão de Segurança PĂșblica também contou com representantes de entidades que entregaram uma carta ao STF pedindo a derrubada da "ADPF das Favelas". Procurador no Ministério PĂșblico do Rio de Janeiro, Marcelo Rocha Monteiro criticou o "ativismo judicial".
AgĂȘncia Câmara NotĂcias