
Chega um tempo na vida em que temos de pensar a respeito do valor que demos às coisas e às pessoas. Obviamente, não em termos monetários, mas em seu valor intrínseco e no que a sua conquista representa para nós mesmos. É quando sentimos a necessidade de olhar para trás e tomar atenção para o rastro que deixamos.
Nessa hora, a própria vida cobra uma resposta: O que realmente valeu a pena viver?
O que mais vale a pena em termos de experiências de vida são aquelas situações sobre as quais dizemos de alma limpa: "Eu faria tudo de novo". Nada a retocar, nada a acrescentar.
Infelizmente, alguns só saberão valorizar o que tinham quando finalmente o perderem.
Alguns, por não pensarem a partir do valor das pessoas, e sim das coisas, sacrificam tudo o mais para obterem um suposto "sucesso" — fama, dinheiro, prazer, posição, poder etc. Ao focarem no "ter" e não no "ser", talvez seja tarde demais quando o buraco existencial cobrar a sua conta e faltarem amigos, família, amor e paz, e, finalmente, a saúde.
Esses paradoxos e incongruências da vida são uma arapuca emocional que a muitos aprisiona. Vão longe demais, perdem o que podiam ter conservado, depois gastam tudo o que têm para obter o que já tinham e perderam. Ou seja, o preço pago é muito maior, mas sem obterem as condições mínimas para refazerem a vida.
Ao fazermos um balanço, descobrimos que a felicidade tão avidamente buscada finda estando nas coisas simples e ao alcance de todos, não nas sofisticações que terminam por frustrar a maioria, pois são privilégio de poucos. Isso confunde a muitos, pois quando a vida é encaminhada em função da filosofia do "ter para ser", e não o oposto, do "ser para ter"; e talvez, apenas tardiamente, venha a se descobrir que por não termos sido o que devíamos ser, acabou não valendo a pena ter tido.
Desse modo, fica claro que naquilo em que é focado o nosso interesse está a matriz que vai dizer o real valor que temos dado ao que nos cerca. Procure, portanto, descobrir que motivação está direcionando a sua vida e avalie todos os seus passos. A sua motivação é o combustível da sua missão de vida. Uma motivação errada levará fatalmente ao desastre.
A motivação certa, ao contrário, o protegerá. E tal como disse Jesus, em ambos os casos, esta palavra se cumpre integralmente: "Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração" (Mt 6.21).
Isto tem a ver com a Lei da Motivação, ou seja: aquilo que motiva alguém a começar é o que tem o poder de lhe parar.
Se a motivação é dinheiro, ou poder, ou posição, ou fama, ou qualquer outra coisa que possa se exaurir, quando esta por alguma razão finalmente acabar, então a pessoa forçosamente vai parar e deixar de cumprir a missão que escolheu.
Todavia, há apenas uma motivação que jamais pode parar a pessoa que a possui: é a motivação do amor. E isto por esta razão absolutamente segura e confiável: "O amor jamais acaba." (1Co 13.8)
Quando Paulo diz que "o amor de Cristo nos constrange", ele está a dizer que tal motivação ocupa todos os espaços do nosso ser e não deixa lugar para mais nada. (2Co 5.14)
O amor é a virtude operada eficazmente pelo Espírito de Deus em nosso ser que tem o condão de colocar o nosso foco naquilo que é realmente valorizado aos olhos de Deus. É isto que faz alguém enfrentar as lutas da vida e sair delas uma pessoa melhor do que quando entrou.
Acorde enquanto é tempo! O amor é a única motivação que verdadeiramente valoriza a sua vida e lhe dá sentido, bem como a expressão existencial que faz tudo o mais valer a pena!
Pr. Benjamin de Souza
São Luís, 02/04/2025