O mercado financeiro global reagiu com cautela após o anúncio de novas tarifas de importação pelo governo Trump, gerando volatilidade e incertezas. As medidas, que visam proteger a indústria doméstica dos EUA, trouxeram preocupações sobre possíveis pressões inflacionárias e impactos negativos na atividade econômica.
O dólar apresentou alta, mas se manteve abaixo de R$ 5,70, refletindo a cautela dos investidores. No pregão, a divisa para maio fechou em alta de 0,14%, cotada a R$ 5,719.
Especialistas avaliam que o impacto das tarifas pode ser limitado para o Brasil, dependendo das retaliações de outros países como China e Europa, o que poderia até favorecer as exportações brasileiras, especialmente no setor do agro.
"Primeiro, o impacto sobre a balança comercial brasileira deve ser pequeno, uma vez que o fluxo comercial do Brasil com os Estados Unidos não é o mais relevante", avaliou Ian Lima, gestor de Renda Fixa Ativa da Inter Asset.
Ronaldo Patah, da UBS Wealth Management no Brasil, acredita que o governo Trump calibrará as tarifas para preservar o crescimento econômico e permitir que o Federal Reserve corte os juros ainda este ano.
"Portanto, calibrará as tarifas e as negociações subsequentes de modo a preservar o crescimento econômico e deixar o caminho aberto para que o Fed possa voltar a cortar os juros ainda esse ano", afirma Patah.
Paula Zogbi, da Nomad, ressalta que as medidas, apesar de buscarem estimular a indústria americana, podem gerar pressões inflacionárias e aumentar custos, impactando a atividade econômica. A volatilidade deve persistir enquanto o mercado acompanha os desdobramentos das medidas.
"A volatilidade deve seguir sendo a tônica do mercado enquanto acompanhamos novos desdobramentos das medidas, com prováveis novas revisões de expectativas para os resultados das companhias por analistas e uma possível continuidade do fluxo financeiro para teses mais defensivas e outras economias globais", aponta Zogbi.
O Barclays estima que as medidas equivalem a uma tarifa global ponderada de 20%, o que representa um cenário pessimista, mas ressalta que este é apenas um ponto de partida para negociações futuras.
O ouro, por sua vez, avançou, impulsionado pela demanda por ativos de refúgio em meio às incertezas geradas pelo "tarifaço" de Trump.
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