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Pandemia aumentou estresse em profissionais de sa√ļde, afirma pesquisa

Por Comunica AM em 07/04/2021 às 20:47:39

Pesquisa inédita realizada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) junto a 1.600 médicos cadastrados nos conselhos regionais (CRMs), entre setembro e dezembro de 2020, revelou aumento do n√≠vel de estresse de profissionais da √°rea de sa√ļde.

Segundo 22,9% dos consultados, o principal impacto sobre os n√≠veis de estresse é a pandemia do novo coronav√≠rus. Os médicos que participaram da sondagem atuam nos setores p√ļblico (22%), privado (24%) ou em ambos (54%). S√£o homens e mulheres com idade média de 49 anos, dos quais a maior parte atua no Sudeste (53%), Nordeste (21%) e Sul (16%). Outros 6% trabalham em unidades de sa√ļde do Centro-Oeste e 5% no Norte do pa√≠s.

Para a grande maioria dos médicos (96%), a pandemia afetou sua vida pessoal ou profissional. Lidar com um v√≠rus desconhecido provocou sensa√ß√£o de medo ou p√Ęnico em 14,6% dos entrevistados; redu√ß√£o do tempo dedicado às refei√ß√Ķes, fam√≠lia e lazer (14,5%); comprometimento de horas de descanso e do n√≠vel da qualidade do sono (7,6%).

Segundo an√°lise do CFM, esses fatores podem ter consequ√™ncias no bem-estar desses profissionais, agravando quadros de depress√£o e, até, levando ao aparecimento da s√≠ndrome de burnout - doen√ßa psicológica causada pelo excesso de trabalho.

Ao mesmo tempo, 13% dos entrevistados relataram que o novo cen√°rio refor√ßou seu compromisso com a medicina e com a sa√ļde da popula√ß√£o; fortaleceu sua imagem como médico diante da comunidade (6,2%); melhorou sua rela√ß√£o com os pacientes e outros profissionais de sa√ļde (4,7%); e estimulou a aproxima√ß√£o com as entidades médicas (3,7%).

Valorização

A pesquisa serviu de base para a campanha que o CFM lan√ßou como parte das comemora√ß√Ķes pelo Dia Mundial da Sa√ļde, comemorado hoje (7), com o objetivo de chamar a aten√ß√£o dos gestores para a necessidade de reconhecimento e valoriza√ß√£o dos médicos do Brasil, especialmente daqueles que atuam na linha de frente da covid-19.

A pesquisa do CFM identificou, por outro lado, que a pandemia do novo coronav√≠rus fortaleceu a confian√ßa estabelecida com os pacientes e familiares para 16% dos consultados, e tornou os pacientes mais receptivos às recomenda√ß√Ķes médicas (12,6%). Cerca de 13,7% dos respondentes afirmaram que o estresse gerado pela pandemia no paciente tornou tenso seu comportamento nas consultas.

Para 11,8% dos médicos que atuam na maior parte do tempo na rede privada, a pandemia causou a perda de v√≠nculos de trabalho para parte dos profissionais. No setor p√ļblico, esse percentual é de 10,4%. A necessidade de fechar consultórios ou demitir funcion√°rios por conta do impacto da covid no dia a dia de trabalho foi relatada por 14,2% dos entrevistados do setor privado e 10% dos que atuam no Sistema √önico de Sa√ļde (SUS).

Outros 11,4% dos entrevistados da rede privada e 15,2% da rede p√ļblica acreditam que a pandemia abriu novas oportunidades de trabalho. Somente 3% declararam n√£o ter observado qualquer impacto e 1% se mostrou indiferente a mudan√ßas em seus locais de trabalho ou n√£o soube avaliar.

Desafios

Cerca de 88% dos médicos ouvidos pela pesquisa afirmaram acreditar no aparecimento de novas epidemias nos próximos anos.Para enfrentar esses desafios, 15% deles defenderam a valoriza√ß√£o dos médicos e outros profissionais da sa√ļde, com a cria√ß√£o de carreiras espec√≠ficas; outros 15% acreditam na prioriza√ß√£o de pesquisas cient√≠ficas e desenvolvimento de tecnologias e produ√ß√£o de insumos estratégicos.

O presidente do CFM, Mauro Ribeiro, observou que a pandemia deixar√° para o Brasil uma li√ß√£o inquestion√°vel, a de que "precisamos estar preparados. Investir mais no Sistema √önico de Sa√ļde (SUS), ampliar a capacidade de produ√ß√£o nacional de medicamentos e equipamentos, fortalecer o conhecimento cient√≠fico e, sobretudo, valorizar a for√ßa de trabalho que tanto se dedica a oferecer atendimento de qualidade aos brasileiros", afirmou Ribeiro.

Outra prioridade apontada pelos profissionais ouvidos pela autarquia foi a necessidade de maior investimento p√ļblico em saneamento b√°sico (15%) e sa√ļde (11,4%), além do fortalecimento da aten√ß√£o b√°sica (13%) e refor√ßo no sistema de vigil√Ęncia sanit√°ria em portos, aeroportos e grandes eventos (12,3%). O aparelhamento de hospitais e centros de sa√ļde e a amplia√ß√£o da oferta de leitos de interna√ß√£o e de UTI foram apontados como urgentes por 10,6% e 8,6% dos entrevistados, respectivamente.

Como consequ√™ncias futuras da pandemia, 22% dos médicos avaliaram que a principal delas ser√° o maior espa√ßo que a tecnologia ocupar√° na rela√ß√£o entre médico e paciente, enquanto 22% defenderam maior capacita√ß√£o e preparo dos médicos para tratar eventuais influ√™ncias em quadros cl√≠nicos anteriormente conhecidos.

Plataforma

Além da campanha que visa a defesa da sa√ļde do médico, em especial daqueles que atuam na linha de frente da covid-19, o CFM, em parceria com o Conselho Nacional do Ministério P√ļblico (CNMP) e o Ministério P√ļblico Federal (MPF), por meio do Gabinete Integrado de Acompanhamento da Epidemia de Covid-19 (Giac), lan√ßou uma plataforma para que os profissionais de sa√ļde possam relatar a falta de condi√ß√Ķes e de infraestrutura de trabalho.

Os profissionais de sa√ļde poder√£o, ainda, descrever as situa√ß√Ķes que contribu√≠ram para o aumento do estresse e da tens√£o, especialmente nos locais que acolhem casos suspeitos ou confirmados de covid-19.

Através de um programa de computador que simula um bate-papo, os médicos respondem a uma série de questionamentos que v√£o desde a oferta de equipamentos de prote√ß√£o individual (EPIs), leitos de interna√ß√£o de enfermaria e UTI, até a extens√£o das jornadas de trabalho ou dificuldades para realizar situa√ß√Ķes do dia a dia, como se alimentar ou dormir, informou a assessoria de imprensa do CFM.

A ideia das institui√ß√Ķes é intensificar a prote√ß√£o dos médicos que atuam na linha de frente, bem como da sociedade, refor√ßando o trabalho de apura√ß√£o dos relatos encaminhados e oferecendo solu√ß√Ķes que tragam maior equil√≠brio aos ambientes de trabalho.

A solu√ß√£o criada permite acompanhar em tempo real as informa√ß√Ķes dadas pelos médicos. De acordo com informa√ß√£o do CRM, a expectativa é que "esse projeto experimental de inova√ß√£o tecnológica seja uma ferramenta que viabilize, de forma √°gil, o aperfei√ßoamento das estratégias de enfrentamento da covid-19, promovendo melhor atendimento aos brasileiros e melhores condi√ß√Ķes de trabalho aos profissionais envolvidos."

Fonte: Agência Brasil

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